sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Café?

Depois do «primeiro draft» vem a agonia do que não se falou. Aquilo que para nós já é tão claro que já não achamos relevante falar. Aliás, por esta altura parece-me que nada é relevante, que não tenho nada para dizer, que tudo já foi dito de forma muito mais clara, por cada um dos especialistas nas várias áreas que intersectam o meu trabalho. Estou na fase dos «segundos drafts» que me parecem os primeiros. Não fosse o olhar crítico e o obrigar a explicitar o que se aprendeu do orientador e acho que já tinha arrumado o assunto e iniciado outros projectos. É curioso todo este processo. Não se trata de escrever sobre um assunto, ou por outra, essa é apenas a mais pequena parte que compõe todo o processo. A questão essencial é o próprio processo, o método, a sequência, a aprendizagem que está por trás de cada pequenino passo que se dá até à conclusão. Claro que a parte visivel é o documento que se entrega, mas este reflecte apenas uma parte de toda a aprendizagem. Depois... depois, é o «tempo» que nos testa a resistência. O tempo durante a qual mais artigos foram publicados, o tempo que se calhar não dedicámos à procura de mais material que deve existir, o tempo de um acesso a uma revista cuja assinatura não temos... o tempo para mantermos os nossos contactos em dia, o tempo de trocarmos ideias em voz alta deixando fluir a conversa, o tempo que não chega para uma conversa em família...

Tenho saudades de ter tempo, de parar e deixar que uma chávena de café seja só o aroma, o prazer de uma bebida quente e incorpada que se partilha numa conversa sem destino.

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