quarta-feira, outubro 29, 2003

A propósito de signos

A economia e a eficácia dos signos António Fidalgo, 1999 (Lição Síntese apresentada à Universidade da Beira Interior para Provas de Agregação).

"Economia e eficácia são propriedades de relação, pelo que atribui-las aos signos começa por ser dentro do código em que os signos se situam. Não é possível decidir da economia e eficácia de qualquer signo a não ser à luz de um código (seja este de natureza sintáctica, semântica ou pragmática). Daqui que a economia e a eficácia do uso que se faz dos signos dependa do domínio que se tem do código. A performance é determinada pela competência.
A um nível superior, a um nível que Umberto Eco e Adriano Duarte Rodrigues designam por limiar superior da semiótica,(28) não são os signos, mas os próprios códigos que são vistos e avaliados em termos de economia e eficácia. Os códigos recebem ajustamentos, sofrem alterações, nascem e morrem.
O termo de relação agora, o contexto em que se decide da validade do código, da sua economia e eficácia, é o mundo da cultura, tomada esta no seu sentido mais lato, as mundividências. É neste contexto mais vasto, no contexto da vida, o Lebenswelt husserliano, que irrompem idiolectos, slangs, linguagens especializadas, tipos de comportamento, formas de cortesia, etc..
Se no primeiro caso, ao nível do funcionamento dos signos dentro do respectivo código, a questão da economia e da eficácia é uma questão de domínio do sistema para um melhor uso dos signos, no segundo caso, ao nível da adequação dos códigos à vida, essa questão é uma questão de adaptação, de sobrevivência e de criatividade de quem vive com signos, por meio de signos e em nome de signos.
"


Esta noção é importante para perceber outro tipo de "barramento" a que os expatriados estão sujeitos e também de como está relacionado com o contexto - a eficácia do uso que se faz dos signos depende do domínio que se tem do código (no contexto em que eles ganham sentido).

[não esquecer explorar «
cultura»]

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